Você não é obrigado a nada!

Você não é obrigado a nada!

16 de agosto de 2018

Após 13 anos de experiência na área de RH, um dos comportamentos que mais me chama atenção e que faz parte do repertório de muitos colaboradores, é a constante DELEGAÇÃO de sua INSATISFAÇÃO e/ou INSUCESSO a TERCEIROS, sejam eles colegas, líderes ou empresa. Acredito que este comportamento seja natural do ser humano, mas tenho a percepção de ele se manifesta com mais intensidade em parte de nós brasileiros. Convivo com muitas pessoas de potencial, mas que não conseguem evoluir profissionalmente, pois estão sempre esperando que alguém faça algo por elas e não se sentem RESPONSÁVEIS pelos seus resultados.

Essa afirmação faz todo sentido quando paro para pensar na EDUCAÇÃO de forma geral. Será que os pais e as escolas educam seus filhos e alunos para serem PROTAGONISTAS de suas vidas? Pensando sobre isso, sempre me lembro de um exemplo que ouvi de um Coach na minha primeira formação em Coaching, sobre a educação dos filhos e, que ilustra de forma simples e clara, o que estou querendo elucidar. Durante a formação ele fez a seguinte pergunta aos alunos que eram pais: “Quando seu filho está correndo e sem querer se esbarra em algum móvel e cai e/ou sente dor, qual a sua primeira reação?” A mairoia das respostas que ouvimos foi que eles geralmente “batem” no objeto “causador” da queda e/ou dor, como por exemplo uma mesa, e dizem “mesa feia“, comportamento este que automaticamente gera a reação na criança de parar de chorar e reproduzir a atitude dos pais de “bater” no objeto falando “mesa feia“.

Mas o que isso quer dizer exatamente? De forma consciente, que estão apenas tentando distrair seus filhos para que eles possam parar de chorar (e essa estratégia realmente dá certo na maioria dos casos), mas inconscientemente, o que os pais estão fazendo é passando a mensagem de que a “CULPA” dos filhos terem caído é da mesa, que estava parada o tempo todo no mesmo lugar, e não do filho que estava correndo distraído e acabou causando o acidente.

Este é um exemplo simples, mas que deixa muito claro como, sem querer (querendo), vamos reproduzindo comportamentos que tendem a reforçar esta mensagem de que somos ESPECIAIS e que os OUTROS é que são CULPADOS de não enxergarem nossos talentos. Sem perceber, transferimos a RESPONSABILIDADE pelos nossos resultados à terceiros, como forma de permanecer onde estamos e com a justificativa de que não atingimos o resultado esperado devido a ineficiência/ incompreensão dos outros, não a NOSSA. Aos poucos, vamos deixando de ser protagonistas da nossa própria história.

Trazendo essa reflexão para o ambiente profissional, qual é exatamente a consequência desse tipo de comportamento? Depende do que você tem como objetivo para sua carreira. Se você está satisfeito onde você está e não quer crescer ainda mais, o máximo que pode te acontecer é ficar sem mobilidade e fazendo a mesma coisa até o momento de se aposentar (se você não for DEMITIDO). Mas se você deseja crescer, a FALTA de clareza e de percepção de que VOCÊ é o principal responsável pelo seu desenvolvimento, pode te trazer FRUSTRAÇÕES, a sensação de que está parado no mesmo lugar (está mesmo) e, principalmente, de que está sendo INJUSTIÇADO. E é aí que mora o perigo. Não existe nada mais nocivo ao seu desenvolvimento do que o sentimento de injustiça, que lhe cega e faz com que você acredite – de verdade, verdadeira – que está sendo VÍTIMA de algo e/ou de alguém e que a “culpa” disso não é sua, mas sim do mundo que está CONSPIRANDO contra você.

Se você se identificou com algum desses sintomas, você pode estar sofrendo de um mal mais conhecido como AUTO SABOTAGEM/ BOICOTE e que tem como principal função, fazer com que você continue repetindo padrões de comportamentos automáticos que contribuirão para você permanecer no seu ESTADO ATUAL. Essa auto sabotagem/ boicote pode estar relacionada a alguma CRENÇA disfuncional que você desenvolveu (vou falar mais sobre este tema em outro texto) e que faz com que você determine, de forma INCONSCIENTE, algumas VERDADES ABSOLUTAS (sobre você, os outros e as coisas), que podem te IMPEDIR de enxergar outras alternativas diante da situação.

O importante é destacar que sim, você tem a ESCOLHA de MUDAR esses padrões de comportamentos, assim como tem a escolha de PERMANECER onde está. Mais importante ainda é você entender que essa escolha é SUA assim como as CONSEQUÊNCIAS que elas podem lhe trazer. Lembre-se que você não é obrigado a nada e tem o PODER de DECIDIR o que é MELHOR para você sempre. O primeiro passo para sair deste ciclo vicioso e redirecionar o rumo de sua CARREIRA, é se sentir RESPONSÁVEL pelos RESULTADOS das suas escolhas, sejam elas quais forem. Não existe nada mais EMPODERADOR do que você ser PROTAGONISTA do seu desenvolvimento!

Fernanda Falcão

Coach & Consultora de Gente

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1 Comment

  1. Luiz Affonso Romano · 19 de agosto de 2018 Reply

    Cabe ao homem ter o que preferir e ser o que quiser”
    Picco della Mirandola

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