Há valor estratégico na opção pela Ética. Vamos a ela!

2 de janeiro de 2017

Aceleradas mutações dominam a conduta dos indivíduos, das organizações e da sociedade. Observa-se de uns tempos para cá, calhando com a redemocratização- fim da censura- e com a automação sem fim, que há adesão a mais  modismos:  evidenciar inquietação com o tecido social e sua degradação. São “palavras de ordem” como responsabilidade social, sustentabilidade, reputação, ética, ambiental, responsabilidade civil etc. Mas o que se nota é a superficialidade com que  são tratados. A Ética lidera, por mais falada do que praticada.

O que  se intuía no passado recente e no remoto era o princípio conhecido como difusão de responsabilidade: todos achavam que o governo e as corporações  cuidavam dos problemas e a responsabilidade era deles, dos governantes e executivos. E nada era cobrado, por nada visto.  A era da letargia.

Hoje, todas as mídias apontam e cobram, negociatas não são mais encobertas, inquéritos abertos, “delações premiadas”, apurações, corruptos e corruptores na cadeia e o vem pra rua abraça o País. Os três poderes e as corporações são questionados e investigados.

Exige às empresas, que almejam ser admiradas, adiantarem-se  e antenadas à renovação dos paradigmas focalizarem a relevante questão da ética empresarial como estratégica.  Algumas, repararem à nação as ações predatórias praticadas durante décadas. Fim da era do pago a festa e sou premiado.

Ademais,  é importante manter a coerência entre o abordado nos códigos, que as de porte médio e grande, inclusive as que estão na passarela dos escândalos,  possuem, e as práticas de seus acionistas, do CA, da diretoria e de  seus empregados, por meio, principalmente,  do alinhamento destes às discussões periódicas com os gestores, e acesso a canais diretos para denúncias,  que se efetivarão pelo conhecimento, alinhamento e monitoramento ético dos seus quadros. É um intangível-tangível com alto valor estratégico para o bom êxito das atividades empresariais. Era de todos enxergarem e participarem.

Há de haver, recorrendo às tendências, também a conscientização do cidadão- consumidor hoje atento, exigente e com pressa-   mudança de atitude deles com as que: corrompem, agridem o ambiente, expõem e vendem produtos ruins, fora das especificações e validades, não entregam os produtos/serviços contratados, não exercem boas práticas organizacionais, enfim, violam os preceitos  mantidos às esconsas, e desatualizados,  dos códigos de Ética. Era do amadurecimento do cidadão.

Desse modo, o cidadão-consumidor adquire  papel importante ao optar por não adquirir produtos e serviços das do grupo de malfeitos. Era da maior condenação.

Contudo, as empresas, se atentas e adotando as melhores práticas,  passam a enxergar como valor estratégico o forte comprometimento ético de seus gestores e funcionários, retiram das gavetas da diretoria os Códigos, e estimulam o debate com o seu pessoal, por meio de divulgação, consultas e, como reforço,  reuniões periódicas. Era de evidenciar o  comprometimento.

Assim, se há valor estratégico para as empresas, o caminho da Ética precisa ser vastamente conhecido, divulgado e debatido internamente, todos- todos,.com viés de respeito às pessoas, profissional- profissional, empresas- profissional, para a conquista do consenso entre pessoas, a sobrevivência das empresas e a refrear à extinção dos empregos. Nada de esperar pela repercussão da delação- maior.  Era do amadurecimento organizacional e profissional.

Além disso,  o Código não é uma peça acabada, definitiva. Não são eles concebidos com uma visão de permanência definitiva porque o mundo está em constante mutação e devemos considerar: época, local, comportamentos, porte e segmento das organizações, valores e princípios. É um princípio, um processo.

Enfim, o Código, mensagem aberta das empresas à sociedade, se por todos- acionistas, membros dos conselhos, gestores, empregados, prestadores de serviços, principalmente, auditores e consultores… -, respeitado, servirá de norte para a sadia convivência organizacional, daí para alinhamento  propício à inovação e à busca incessante pelos ganhos de produtividade e, com isso, alcançam elevado grau de competitividade que tanto necessitamos. Portanto, há valor estratégico na opção pela Ética. Vamos a ela!

Luiz Affonso Romano é consultor, coach de consultores, professor do Curso de Desenvolvimento de Consultores, autor do Perfil das Empresas de Consultoria no Brasil – 2014, 2015 e 2016 -, do e-book “Consultoria: o que é isso, afinal?” e coautor dos códigos de Ética da ABCO, CBV, IBEF… É ainda colunista da newsletter mensal “Ouvimos por aí” , do Administradores.com… e presidente da ABCO – Associação Brasileira de Consultores.

http://www.administradores.com.br/artigos/negocios/ha-valor-estrategico-na-opcao-pela-etica-vamos-a-ela/101740/?utm_source=MailingList&utm_medium=email&utm_campaign=News+-+17%2F01%2F2017

 

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6 Comments

  1. Tatiana Vitorino · 2 de fevereiro de 2017 Reply

    Texto muito apreciativo e proveitoso pra quem tem olhos de ler.
    Vamos pegar carona no momento em que um grupo se reuniu para a anti-corrupção. “Lava-jato” veio provar ao povo brasileiro que, não só é possível combater a corrupção, como é possível se ter ética na política. Que sirva de espelho para as atitudes de cada brasileiro perante seus pequenos atos de corrupção, porque a falta de ética está também nas pequenas atitudes.
    Tatiana Vitorino
    Consultora Financeira

  2. Grace Helen Murray · 12 de janeiro de 2017 Reply

    No dia da minha formatura EU JUREI meu Código de Ética Profissional. Levo como uma oração; e, uma oração é a verdade intimá de que farei o melhor servir para a sociedade e para mim. Há momentos que aparecem as pedras no caminho, mas sempre me lembro de orar. A meu ver, empresas e empresários que destruíram sua reputação e a capacidade de gerar trabalho para milhares de pessoas pelo fato, ou compraram seus diplomas ou como muitos juram sobre a Bíblia e depois a profanam. ÉTICA, POBRE ÉTICA!
    Grace Helen Murray

  3. Luiz Affonso Romano · 7 de janeiro de 2017 Reply

    Nas últimas décadas, com imprensa livre, os questionamentos sobre a conduta ética alcançaram crescente importância tanto no âmbito das empresas da iniciativa privada quanto no da administração pública.
    Na medida em que a grande sociedade tem acesso às informações e consciência da responsabilidade das organizações, passamos a exigir explícita competência no desempenho, impessoalidade, honestidade de propósitos e transparência nas ações corporativas. Assim, a ética empresarial tornou-se condição essencial para a sobrevivência das organizações. O livrinho há que sair da gaveta da diretoria.
    Ademais, há movimentos, dando os primeiros passos, no sentido do cidadão ser implacável com as que não respeitam os consumidores, agridem o meio ambiente, combinam preços, privilegiam por gênero, por opção sexual, e não exercem boas práticas organizacionais, desligando-se delas, não as escolhendo como empresas admiradas.
    Luiz Affonso Romano
    Consultor

  4. Luiz Affonso Romano · 5 de janeiro de 2017 Reply

    Por que devemos iniciar 2017 com as mesmas soluções para problemas antigos, do século passado ou remoto?
    Nesse caso,da construção de mais presídios, estamos dando um prêmio às já na passarela dos grandes escândalos. Não acha?.
    Enfim, não dá mais para esperar o censo de presidiário, construir mais presídios, separar por pena…
    Que tal esvaziar os presídios com os recém encarcerados- os corruptos e corruptores, já conhecidos-, que cumpririam pena devolvendo ao mar as tartarugas que não conseguem voltar em praia do Maranhão? Capacitando-os como cuidadores ou como auxiliar de enfermagem para doenças graves? …
    Vamos inovar!
    Luiz Affonso Romano

  5. Luiz Affonso Romano · 4 de janeiro de 2017 Reply

    As empresas devem iniciar 2017 preparadas para responder as confrontações que virão.
    É um risco enorme para as já na passarela dos escândalos não levarem à discussão com os empregados o que pretendem daqui em diante. Mea culpa ao debate interno!
    Enfim, não dá mais para esperar que o conflito maior sinalize as ações ou seja superado.
    Luiz Affonso Romano

  6. Cristiane Cupello · 2 de janeiro de 2017 Reply

    Caro Romano,

    Boa noite!

    Seus artigos nos conduzem à uma necessária reflexão de postura, uma mudança de atitude, diante de fatos irrefutáveis.
    Como Estrategista e Apreciadora da Ética, reconheço a importância desse enfoque para que as empresas sejam admiradas pelos Colaboradores e Mercado, especialmente no momento atual pelo qual o nosso país passa.
    Defendo a prática do tema com mais simplicidade e menos superficialidade.
    Através de códigos de ética, que possam efetivamente “ser retirados da gaveta”, pela abordagem direta e objetiva, é possível tornar o processo menos burocrático e mais factível de ser vivido.
    A partir do momento que a Ética é entendida pela Alta Administração como fator crítico de sucesso e desdobrada por todos os níveis hierárquicos organizacionais de forma participativa, ela passa a receber o tratamento profundo, que de fato merece.
    “Vamos construir juntos” um novo ano, organizações, país, história: as próximas gerações agradecem!

    Abraços,
    Cristiane Cupello
    Consultor de Planejamento Estratégico & Projetos
    55 21 99394-6402
    ccupello@gmail.com

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