Há valor estratégico na opção pela Ética. Vamos a ela!

2 de janeiro de 2017 6 Por Luiz Affonso Romano

Aceleradas mutações dominam a conduta dos indivíduos, das organizações e da sociedade. Observa-se de uns tempos para cá, calhando com a redemocratização- fim da censura- e com a automação sem fim, que há adesão a mais  modismos:  evidenciar inquietação com o tecido social e sua degradação. São “palavras de ordem” como responsabilidade social, sustentabilidade, reputação, ética, ambiental, responsabilidade civil etc. Mas o que se nota é a superficialidade com que  são tratados. A Ética lidera, por mais falada do que praticada.

O que  se intuía no passado recente e no remoto era o princípio conhecido como difusão de responsabilidade: todos achavam que o governo e as corporações  cuidavam dos problemas e a responsabilidade era deles, dos governantes e executivos. E nada era cobrado, por nada visto.  A era da letargia.

Hoje, todas as mídias apontam e cobram, negociatas não são mais encobertas, inquéritos abertos, “delações premiadas”, apurações, corruptos e corruptores na cadeia e o vem pra rua abraça o País. Os três poderes e as corporações são questionados e investigados.

Exige às empresas, que almejam ser admiradas, adiantarem-se  e antenadas à renovação dos paradigmas focalizarem a relevante questão da ética empresarial como estratégica.  Algumas, repararem à nação as ações predatórias praticadas durante décadas. Fim da era do pago a festa e sou premiado.

Ademais,  é importante manter a coerência entre o abordado nos códigos, que as de porte médio e grande, inclusive as que estão na passarela dos escândalos,  possuem, e as práticas de seus acionistas, do CA, da diretoria e de  seus empregados, por meio, principalmente,  do alinhamento destes às discussões periódicas com os gestores, e acesso a canais diretos para denúncias,  que se efetivarão pelo conhecimento, alinhamento e monitoramento ético dos seus quadros. É um intangível-tangível com alto valor estratégico para o bom êxito das atividades empresariais. Era de todos enxergarem e participarem.

Há de haver, recorrendo às tendências, também a conscientização do cidadão- consumidor hoje atento, exigente e com pressa-   mudança de atitude deles com as que: corrompem, agridem o ambiente, expõem e vendem produtos ruins, fora das especificações e validades, não entregam os produtos/serviços contratados, não exercem boas práticas organizacionais, enfim, violam os preceitos  mantidos às esconsas, e desatualizados,  dos códigos de Ética. Era do amadurecimento do cidadão.

Desse modo, o cidadão-consumidor adquire  papel importante ao optar por não adquirir produtos e serviços das do grupo de malfeitos. Era da maior condenação.

Contudo, as empresas, se atentas e adotando as melhores práticas,  passam a enxergar como valor estratégico o forte comprometimento ético de seus gestores e funcionários, retiram das gavetas da diretoria os Códigos, e estimulam o debate com o seu pessoal, por meio de divulgação, consultas e, como reforço,  reuniões periódicas. Era de evidenciar o  comprometimento.

Assim, se há valor estratégico para as empresas, o caminho da Ética precisa ser vastamente conhecido, divulgado e debatido internamente, todos- todos,.com viés de respeito às pessoas, profissional- profissional, empresas- profissional, para a conquista do consenso entre pessoas, a sobrevivência das empresas e a refrear à extinção dos empregos. Nada de esperar pela repercussão da delação- maior.  Era do amadurecimento organizacional e profissional.

Além disso,  o Código não é uma peça acabada, definitiva. Não são eles concebidos com uma visão de permanência definitiva porque o mundo está em constante mutação e devemos considerar: época, local, comportamentos, porte e segmento das organizações, valores e princípios. É um princípio, um processo.

Enfim, o Código, mensagem aberta das empresas à sociedade, se por todos- acionistas, membros dos conselhos, gestores, empregados, prestadores de serviços, principalmente, auditores e consultores… -, respeitado, servirá de norte para a sadia convivência organizacional, daí para alinhamento  propício à inovação e à busca incessante pelos ganhos de produtividade e, com isso, alcançam elevado grau de competitividade que tanto necessitamos. Portanto, há valor estratégico na opção pela Ética. Vamos a ela!

Luiz Affonso Romano é consultor, coach de consultores, professor do Curso de Desenvolvimento de Consultores, autor do Perfil das Empresas de Consultoria no Brasil – 2014, 2015 e 2016 -, do e-book “Consultoria: o que é isso, afinal?” e coautor dos códigos de Ética da ABCO, CBV, IBEF… É ainda colunista da newsletter mensal “Ouvimos por aí” , do Administradores.com… e presidente da ABCO – Associação Brasileira de Consultores.

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