Governança da Empresa Familiar ou da Família Empresária?

Este é o desafio que gostaria de apresentar a você, leitor do Ouvimos por aí.  Gostaria que você refletisse junto comigo e enviasse o seu comentário para alimentarmos a troca de experiências sobre estes temas desafiadores vinculados ao Empreendedorismo.

Com a sua bagagem como empreendedor ou consultor, você sabe que os empreendedores constroem seus negócios baseados na sua iniciativa, feeling, algum conhecimento técnico e/ou de mercado, e muita perseverança.

E para viabilizar seu empreendimento contam sempre com o apoio da esposa, filhos, irmãos, a família, enfim.  E esta família, em geral, se aproxima, se incorpora ao negócio e passa a ‘fazer parte do negócio’ de uma alguma forma.

E criam-se dois ‘ramos da família: a ‘família como um todo’ e, inserido neste, o de ‘familiares-sócios’ que participam ativamente da gestão do negócio, sobrepondo-se um ao outro.  Com a evolução ao longo do tempo esta sobreposição vai diminuindo, ficando cada vez mais claro (ou confuso) a necessidade de se criar ambientes separados para o tratamento dos temas relacionados ao negócio em si e dos temas relacionados à família, seus interesses particulares, ambições individuais e, até mesmo, do processo de sucessão na cadeia de comando do negócio, que sempre é capitaneado pelo empreendedor-fundador.

E de qual lado você fica? O da Governança da Empresa? Ou o da Governança da Família?

Aguardo seus comentários para darmos prosseguimento a este desafio.

Carlos R. Velloso é Diretor de Empreendedorismo da ABCO – Associação. Brasileira de Consultores, Conselheiro de Administração e Conselheiro Fiscal Certificado pelo IBGC,  Coordenador da Comissão de Governança Corporativa em Empresas Estatais do IBGC.

Originalmente publicado no Ouvimos por aí nº 83, abril 2017

Share Button

2 Comments

  1. Carlos Peixoto · 9 de junho de 2017 Reply

    Bom tema, Velloso. Há que definir, na medida da evolução dos negócios, as fronteiras entre o que é a empresa e o que é a família. Quais os objetivos empresariais da família em si e os objetivos da empresa. Há que deixar claro tratar-se de dois entes, que embora interdependentes, são distintos e têm vida própria o que deve ser respeitado. Na medida da maturidade tanto do empreendedor como de sua família (e da empresa), devem ser definidas as regras de interação entre a família e a empresa. No sentido de que governança é um sistema pelo qual as organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, incluindo as normas e costumes que regulam as relações entre o próprio negócio, seus proprietários, dirigentes e demais partes interessadas. Fico por aqui, para estimular o debate como sugerido por você.
    Carlos Peixoto
    Consultor

  2. Luiz Affonso Romano · 20 de abril de 2017 Reply

    Prezado Velloso, bem explanado e interrogado.

    O Filicídio sempre esteve entranhado nas empresas familiares e nas corporações, aqui na relação gestores- jovens funcionários.

    Trata-se de assunto já bem explorado pelos psicólogos e pelos consultores organizacionais. Explicamos: todo mundo conhece o chamado “Complexo de ‘Édipo’ “ – a estória da relação complexa entre filho e pais. Mas não se fala tanto da relação destes ( Laio) contra o filho.

    No caso das empresas, de forma ainda mais evidente, é a atitude de velhos pais fundadores de empresas familiares que elegem um filho para dirigir em seu lugar mas, secretamente, desejam que o escolhido não o sobrepuja.

    Muitas vezes, aplica-se esta atitude à hostilidade de gestores nas organizações na relação com funcionários mais jovens, quando aqueles reagem a mudanças positivas propostas por estes.

    Luiz Affonso Romano
    Consultor

Leave a reply