Driblar a crise

27 de julho de 2018

Driblar é para craques como Garrincha, Pelé, Maradona, Messi… que se livravam rapidamente de um marcador e de outros que vinham em socorro e, igualmente, também driblados. Craques!

Para os mortais, como nós, há de haver análise e interpretação das mudanças, das crises por virem, a fim de preservar e otimizar os nossos ativos (competências, integridade, network…) e colocá-los a serviço da autoria da própria vida e trabalho, para não terem a vida de Sísifo fazendo o que não gostava, numa rotina enfadonha e, por tal, estressante. Evidência de amadurecimento.

 

Grande desafio é conviver

com as mudanças constantes

 

Não é de hoje que há crise – (i) política, (ii) econômica, (iii) éticas, políticas e econômicas. As originadas lá fora, como a de 2008, da Segunda Guerra, dos choques externos (alta do preço do petróleo e dos juros), queda do preço do petróleo.

E as geradas por nós mesmos – por ação ou por omissão, no país: ditadura varguista, deposição, eleição e suicido de Vargas, renúncia de Jânio Quadros, deposição de João Goulart, inflação galopante, ditadura, inflação reprimida e escondida, moratória, redemocratização, 84% ao mês de inflação, impeachment do primeiro presidente eleito, pós-60, impeachment 2, caça aos atuais corruptos e aos privilégios, mordomias, dependência de commodities…

Contudo o grande desafio é conviver com as novas crises, originadas pela automação, que são irrepetíveis: avalanche de informações, precoce envelhecimento dos conhecimentos, encolhimento constante do mercado de trabalho, acompanhada da globalização, que também enseja concentração de negócios ora num país ora noutro, sem, no entanto, repetir o livre tráfego com pessoas. Há, então, que se preparar constante e interruptamente para trabalhos independentes e formatação de parcerias interconectando saberes.

Adultos – homens e mulheres – compreendem que os títulos formais, os cursos longos, carregados de chancelas – formando para um mundo que não existe – marcas consagradas no passado, carecem de reexame, e preparam-se para viver ativamente mais, e melhores anos, buscando zelosamente equipararem-se para dobrar o tempo de trabalho, porém prazeroso e profícuo, exprimindo vigor mental e físico.

Os novos adultos estão cientes de que não haverá mais emprego abundante nem tudo será na mesma sequência, previsível só o imprevisível, sem esquecer que viverão até os 85/90. Não imputarão a culpa aos governos, ao mercado, aos RHs, pois as mudanças e crises são sempre bruscas e, agora, constantes e implacáveis com os que não têm as rédeas da vida e do trabalho nas próprias mãos.

Já para os jovens, no início, as referências não são mais os pais, por os verem ansiosos com a provável perda do emprego ou já desempregados. Almejam escolher por determinados períodos. Para os que ora vêm ao mundo, a atividade que exercerão sequer existe.

 

Luiz Affonso Romano

Consultor, professor, coordenador do Perfil da Consultoria no Brasil 2014/15/ 16/17 e presidente da Associação Brasileira de Consultores (ABCO).

https://monitordigital.com.br/driblar-a-crise

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