Conversa entre Consultores

Conversa entre Consultores

8 de fevereiro de 2019 3 Por Luiz Affonso Romano

Ainda outro dia, num “chat” de Consultores, levantou-se o tema dos aspectos mais relevantes de nosso trabalho e/ou onde se “erra” mais. Claro, as opiniões variaram bastante, porém chegamos a um consenso. Aqui, para você conferir:  10 tópicos de maior relevo.

1. O Cliente detesta “pacotes modelo universal”,  que sentem servir para toda e qualquer outra empresa, que não a sua. É como estivéssemos vendendo, por preço de novo, um produto de 2ª mão- quem gosta? Afinal, todo Cliente se julga único – e de fato é-, já que assim como não existem doenças, mas sim doentes, também cada empresa é um universo diferente com suas peculiaridades, circunstâncias e idiossincrasias.

2. Cada vez mais se fala em sustentabilidade da empresa, mas também, do fim do emprego e, de certo modo, de sua “insustentabilidade”. Mas como administrar tal dilema e de que lado, finalmente, deve ficar o Consultor? Do lado da empresa que lhe contrata- por vezes objetiva, utilitariamente, “egoisticamente”, somente preocupada com seu lucro e sua sobrevivência-, ou do lado humano, da preocupação social e da justiça e equidade comunitária?  O Consultor deve alertar que  carecem investir só ou com as entidades na preparação para uma segunda carreira devido ao desemprego tecnológico, que traz enfraquecimento até do seu próprio consumo, além de tornar o governo o maior empregador e consumidor para minimizar o desemprego tecnológico acelerado e constante.

3. Pois até pode-se arriscar algumas respostas para isso. A primeira é a de se reconhecer, francamente, que talvez não tenha mais sentido o Pessoal “vestir a camisa da empresa” e que, bem ao contrário, agora cada um deve mesmo é “vestir sua própria camisa “ Ora, o Consultor pode- ou quem sabe até deve- levar seu cliente-empresa a reconhecer que ela tem uma responsabilidade social a cumprir e a ser respeitada, que pode , inclusive, se transformar em vantagem competitiva, ganhando a simpatia e a preferência do Mercado, dos meios de comunicação…

4. Porquanto já existem, como sabemos, nos “States” e agora, até no Brasil, organizações não lucrativas dedicadas à “certificação” do comportamento justo, social , humano e ecológico das empresas examinadas, com ótimos resultados…

5. O Cliente, cada vez mais espera e até exige resultados. Com isso, será extremamente útil que se possa avaliar e até medir a resposta à nossa intervenção. Para isso, importante será se sugerir e implantar, juntamente com o cliente, uma “métrica” significativa , desde que aceita e compreendida por quem vai ser avaliado por ela. Por exemplo, se você, atleta, for corredor da milha, não tem sentido ser avaliado pela altura alcançada ao saltar de vara, não é mesmo?

6.Todo planejamento bem feito deve de ter embutido um “Plano B”, espécie de saída de emergência para incêndio, no caso de nada dar certo. Só que isso tem de ser programado antes que as coisas aconteçam e se entre em pânico. Ou seja, o Consultor pode ajudar, embora pareça meio estranho, a programar o sucesso e, também, o insucesso- é bem mais prudente!

7. O Cliente geralmente não lhe contata quando tudo vai indo bem, até por achar que não precisa de sua ajuda. No passado recente, centenas de empresas, que viviam da aplicação no “overnight” e não de seu negócio, simplesmente fecharam, com a queda da inflação. Ou seja, quando ainda podiam não fizeram “o dever de casa”.

8. Os Consultores concordaram em que o bom cliente talvez seja o que não tem (ainda) problemas e que cabe ao consultor profissional alertar para essa realidade. Na verdade, já dizia Peter Drucker, melhor é maximizar o lado positivo da empresa e não se tentar consertar o negativo- o lado podre da organização-, vamos virar a página!

9.Também não constrói- ponderaram os Consultores- procurar “culpados” e punir os que erraram. Inclusive porque toda empresa é um sistema de inter-relações e os efeitos de uma situação negativa, com frequência, tem sua causa num espaço e num tempo diferente do que se incrimina. Procurar erros não traz a solução.

10.Finalmente, e nisso houve absoluta unanimidade, todos concordaram que sem o apoio e endosso de quem “manda” e de quem é o alvo da mudança, provavelmente nada vai de fato acontecer. Ou ainda, mais frustrante, parece que as coisas mudam, mas muita precaução porque as pessoas tendem a voltar aos comportamentos antigos.
É um ciclo contínuo, que necessita ser periodicamente verificado, pois mudar  hábito não é tarefa fácil.

Pois nosso “chat” foi ficando por aqui. E, naturalmente, há ainda mais, muito mais, a se discutir, comentar e sugerir nas nossas atividades, nos sucessos e insucessos do Consultor ou de um “Coach”.

Luiz Affonso Romano e Paulo Jacobsen são consultores.