A pressão política sobre a reforma da previdência

Para o bem ou para o mal, Brasil vive um momento de democracia plena, onde a divisão entre poderes, salvo pequenos incidentes, tem sido respeitada. O Executivo tem a responsabilidade pela administração do país e como tal tem obrigação de corrigir sistemas e legislações de acordo com as necessidades da Sociedade. Esta a razão principal para que o atual governo tenha proposta uma grande reforma da Previdência, a qual tem que ser discutida e aprovada pelo Congresso.
Não há qualquer parcela significativa da Sociedade que não concorde com alguma reforma da Previdência, até porque números não mentem e é sobejamente sabido que o sistema que aí está, concebido na década de 30 do século passado, quando a longevidade média era de pouco mais de 50 anos, não pode funcionar hoje em dia, quando a longevidade média já se aproxima dos 80 anos ! O problema, como sempre, está nos detalhes. Qual reforma fazer ? O Governo, em ato de coragem política, enviou ao Congresso uma proposta tecnicamente adequada, porém, cortando ou diminuindo benefícios de diferentes classes sociais, mas atingindo negativamente, de uma forma ou de outra, os interesses individuais da grande maioria dos futuros aposentados e atuais eleitores. Nada mais necessário ! Nada mais politicamente incorreto !
Os Deputados e Senadores, cuja maioria não pensa em outra coisa que não seja manter algum tipo de foro privilegiado ante o perigo da Lava Jato, estão pensando, por causa disso, mais do que nunca em suas reeleições. Mais do que nunca, vão votar a reforma da Previdência pensando nas consequências de seu voto na boa vontade de seus eleitores. Ora, como a reforma da Previdência é exatamente para retirar ou diminuir benefícios e alongar o período de contribuições é também altamente nefasta à maioria dos eleitores, individualmente. Deputados e Senadores não são conhecidos por praticarem suicídio político. Ao contrário, se têm mandatos é porque são hábeis na arte da sobrevivência em meio à guerra eleitoral. Acho muito difícil que a reforma de que o Brasil realmente precisa seja aprovada.
Contudo, como todos os Congressistas, no fim do dia, dependem de que o Brasil permaneça minimamente viável, o que deixará de acontecer cedo ou tarde se a Previdência não for reformada, nossos Congressistas vão acabar aprovando uma reforma, mutilada, débil, insuficiente, mas menos amarga ao eleitor. Assim, vamos dar alguns passos na direção certa, depois de muita negociação e muitas decisões nocivas aos interesse da Sociedade, para daqui a 5 ou 6 anos recomeçarmos toda a discussão ante a constatação de que o que terá sido feito em 2017 não foi suficiente. Ahh !!… Mas a maioria dos atuais Congressistas terá sido reeleita, felizmente …
Sérgio Raposo
Vice-presidente do IBEF

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